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Dirofilariose

O verme do coração (Dirofilaria immitis) é transmitido por várias espécies de mosquitos, que agem como hospedeiros intermediários obrigatórios. É uma doença mais prevalente em regiões tropicais e subtropicais, cujo hospedeiro definitivo é o cão.

Canídeos selvagens, como raposa, coiote e lobo, gato doméstico, felídeos selvagens e homem constituem-se em hospedeiros acidentais do agente etiológico, o nematoide Dirofilaria immitis, e servem como reservatório da doença.

EPIDEMIOLOGIA

A dirofilariose canina afeta mais comumente animais entre 3 e 5 anos de idade, embora possa ser diagnosticada em cães com menos de 1 ano ou mais idosos.  

Cães machos são mais afetados que fêmeas, bem como os cães de porte grande são mais suscetíveis que os de médio e pequeno portes, fatos provavelmente relacionados com a finalidade para que são criados. 

Cães machos, de porte grande, são aqueles criados como cães de guarda, geralmente mantidos fora do domicílio e, portanto, mais sujeitos às picadas de vetores, que se constituem em hospedeiro intermediário da D. immitis.  

PATOGENIA

Para a adequada compreensão da fisiopatologia, bem como dos aspectos clínicos da doença, é importante conhecer o ciclo do parasito.  

Acredita-se que, no cão, o parasito adulto e as microfilárias tenham vida média, respectivamente, de 3 a 5 e 1 a 2 anos.  Em felinos, o período pré-patente é 1 a 2 meses mais longo do que nos cães e a vida média do parasito adulto não ultrapassa 2 anos.  

O início das manifestações clínicas e a gravidade da doença estão diretamente relacionados com a quantidade de vermes adultos.  

Por vezes, a migração aberrante do parasito causa sintomas relacionados com a sua localização, como globo ocular, sistema nervoso central, artéria femoral, tecido subcutâneo, cavidade peritoneal, entre outras.  

A Dirofilariose é uma causa importante de hipertensão pulmonar.

A presença do parasito adulto nas artérias pulmonares produz lesões vasculares reativas, que desencadeiam o quadro de hipertensão pulmonar. A hipertensão pulmonar crônica leva ao desenvolvimento de insuficiência miocárdica direita com manifestação de insuficiência cardíaca congestiva direita.  

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

As manifestações clínicas associadas à dirofilariose dependem da gravidade e da duração da infestação, mas muitos animais, embora parasitados, permanecem assintomáticos. Assim, os sintomas mais comumente associados à dirofilariose são: emagrecimento, intolerância ao exercício, tosse, letargia, dispneia, síncope e distensão abdominal.  

Ao exame físico, podem-se evidenciar perda de peso, reforço da 2ª a bulha, insuficiência da valva tricúspide e ritmo de galope. Em caso de insuficiência cardíaca direita, distensão e pulsação da veia jugular acham-se presentes, além de distensão abdominal e hepato-esplenomegalia.  

O surgimento dos sintomas geralmente está associado à chegada dos parasitos imaturos aos pulmões ou à morte dos vermes adultos no coração.

Exames laboratoriais revelam azotemia, hemoglobinúria, bilirrubinúria e aumento da atividade das enzimas alanina aminotransferase (ALT) e fosfatase alcalina (FA). Ainda, a destruição intravascular de eritrócitos, em contato com os vermes, somada à incapacidade hepática de remover os pró-coagulantes resulta no quadro de coagulação intravascular disseminada. 

DIAGNÓSTICO

No diagnóstico da dirofilariose, são de suma importância as informações relativas à identificação do animal, especialmente no tocante a sua origem e locais que frequenta (regiões endêmicas). Dentre os exames complementares, são importantes para a realização do diagnóstico da referida parasitose: 

  • Exame radiográfico de tórax: útil para observação do aumento da silhueta cardíaca, em especial do ventrículo direito, como também do tronco das artérias pulmonares além da condição da vascularização pulmonar, evidenciando artérias lombares caudais dilatadas e tortuosas.
  • Pesquisa de microfilárias:  microfilárias no sangue periférico podem ser detectadas por várias técnicas. É necessário lembrar que, nos casos da forma oculta, este exame laboratorial não se aplica.
  • Hemograma: pode revelar eosinofilia/basofilia, anemia arregenerativa e trombocitopenia. Eosinofilia/basofilia consiste em um dado laboratorial muito sugestivo de dirofilariose e a trombocitopenia é resultante da migração das plaquetas para o tecido pulmonar, onde ficam aderidas à parede dos vasos pulmonares.
  • Testes imunológicos: atualmente, o diagnóstico de dirofilariose baseia-se na realização de testes imunológicos, dentre os quais o mais utilizado é o ensaio imunoabsorvente ligado à enzima (ELISA) para detecção de antígeno. Esta técnica se presta, principalmente, para o diagnóstico de formas ocultas da enfermidade. 
  • Os exames eletrocardiográfico e ecocardiográfico: têm importância secundária no diagnóstico de dirofilariose. O eletrocardiograma revela alterações, como aumento ventricular direito, desvio do eixo cardíaco no plano frontal para a direita, apenas em fase avançada da enfermidade parasitária, enquanto pelo exame ecocardiográfico estruturas lineares (D. immitis) podem ser evidenciadas em casos de infestação maciça. Além disso, por meio do exame ecocardiográfico, pode-se diagnosticar hipertensão pulmonar secundária à dirofilariose 

FONTE PRA LEITURA:

Medicina Interna de Pequenos Animais  – Nelson e Couto 

Tratado de Medicina Interna de Pequenos Animais – Marcia M. Jericó. 

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