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Esporotricose: formas de transmissão e sinais clínicos

A esporotricose é uma micose subcutânea, que acomete cães, homens e principalmente gatos que tem acesso a rua, gatos de vida livre. Também chamada de micoses de implantação ou inoculação, pois é necessário ter a inoculação da levedura no animal ou ser humano acometido. 

Pacientes que são acometidos com a doença, precisam de uma inoculação da levedura no local da lesão. As lesões tem características papulonodulares, onde o animal pode apresentar lesões circunscritas, que evoluem para lesões ulcerogromosas onde há perda tecidual com exposição da derme e com o centro da úlcera necrosado, formando uma lesão mais elevada, forma um tipo de goma em fase tardia. 

É considerada uma micose com maior frequência em clima tropical. Por muito tempo foi considerada uma Ergodermatose, onde a doença era correlacionada a atividade laboral da pessoa, e a profissão é fator de risco para a pessoa se contaminar. 

Em outros países observamos maior incidência de casos em humanos relatados em homens adultos que se contaminam por motivos ocupacionais, considerada uma ergodermatose. Já no Brasil, observamos nas regiões endêmicas a população mais contaminada são mulheres idosos e crianças, pois esses têm maior convívio e contato com gatos. Para a espécie humana o gato é a principal fonte de infecção, não é mais por motivos laborais ou ambientais a partir do contato com plantas e matéria orgânica. 

Mudança no padrão de observação da doença em seres humanos, isso reflete na nossa responsabilidade funcional e em como a gente consegue fazer o manejo do nosso paciente e as orientações. Zoonose se torna nossa responsabilidade como Médico Veterinário.

Etiopatogenia

S. braziliensis – espécie mais comumente envolvida nos casos descritos no Brasil.

O Brasil é o local de maior epidemia da esporotricose do mundo inteiro e onde existe a mudança de classe acometida, acometendo mulheres, idosos e crianças, a mudança de área rural para área urbana, e essa espécie é a mais patogênica, melhor adaptada à espécie felina, maior adaptada ao ambiente e mais resistente aos tratamentos – é o principal fator para justificar o alto contágio e difícil tratamento.

Sporothrix shenckii é muito comum e é capaz de resistir a condições ambientais extremas, permanecendo viável por vários anos mesmo que haja exposição a baixas temperaturas, elevada pressão osmótica ou altos níveis de radiação ultravioleta – organismo muito adaptado ao nosso ambiente.  

Característica dos fungos do gênero Sporothrix

Melanizado – produzem melanina isso é considerado dentro dos fungos tanto um fator de resistência tanto ambiental quanto a determinados tratamentos antifúngicos. 

Capacidade de dimorfismo – conseguem passar da forma não infectante para infectante, em temperatura ambiente, não precisa de muitas condições para que isso aconteça 

Termotolerância – consegue se adaptar a qualquer clima e temperatura 

Síntese de enzimas como proteases, lipases e ureases que são responsáveis por todos os danos que eles conseguem fazer no tecido do paciente infectado. 

Como ocorre a transmissão:

Gato – Ser Humano:

Arranhadura ou mordedura, tanto de animais comprovadamente doentes, quanto por portadores assintomáticos, que têm acesso à rua, arranhando tronco de árvores contaminadas, andando no chão onde faz a escavação habitual, onde fica o fungo nas garras, não necessariamente o paciente precisa ser sintomático ou estar doente para transmitir a doença. 

Pacientes, principalmente felinos que tenham lesões erodoulcerativas, deve ser feito o diagnóstico diferencial para esporotricose.

A infecção também pode ocorrer por contato com o solo, contato com vegetais secos ou em decomposição contaminados com o fungo, ou por mordedura e arranhadura por algum felino, sendo suscetível o cão, gato ou ser humano. 

Período pré patente varia muito: de 3 a 84 dias – tendo a média de 21 dias – a partir do momento que o sporothrix é inoculado nesse paciente, forma o Esporotricoma é a primeira lesão causada pelo sporothrix quando inoculado. Essa lesão geralmente é papular e única, não é uma lesão disseminada, o local que ocorre essa inoculação chama-se esporotricoma. 

Depois que se forma o esporotricoma, dependendo das condições imunológicas do paciente, dependendo das condições de virulência da espécie fúngica envolvida, ou podemos caminhar para uma involução espontânea, onde teremos uma cura clínica sem que haja nenhum tipo de tratamento, vai acontecer a disseminação da doença. O imunocomprometimento é importante nesse sentido, e pode acontecer por infecções virais, infecções de protozoários, infecções bacterianas, e o imunocomprometimento iatrogênico, onde o médico veterinário utiliza medicações que são imunossupressoras ou imunomoduladoras, como o corticóide em lesões de pele, sem fazer exames ou ter diagnóstico diferencial.

Quando acontece a involução, pode acontecer uma “cicatriz imunológica”, nos seres humanos é possível fazer o diagnóstico de esporotricose por meio de reatividade subcutânea, como um teste alérgico mesmo você consegue detectar a imunidade daquele paciente, vai fazer a reação local e conseguimos detectar que aquilo se trata de esporotricoma, mesmo que tenha evoluído para uma melhora o quadro. 

Felino com acesso a ambiente externo, e faz parte do seu comportamento normal afiar as unhas em tronco, madeira e esse material pode ser a fonte do esporotrix, e a partir daí esse animal dissemina a doença. E esse mesmo gato pode entrar em contato através da arranhadura ou mordedura com o seu tutor, ou com o ser humano. 

A evolução da doença vai acontecer formação de múltiplas lesões cutâneas complementares, esporotrix está dentro das formações sólidas e das perdas e reparações teciduais, e a localização depende muito da espécie, mas está principalmente em região cefálica, membros torácicos e patas, pois é muito mais onde ocorre briga, arranhões, e é menos comum em membro pélvico e tronco, não que não possa acontecer, mas não é o mais comumente observado. 

As lesões em seu estágio inicial podem parecer inofensivas, de tamanho pequeno, não podemos subestimar se estivermos em região endêmica, tem que ser investigada por menor que seja a lesão. 

Exame clínico em felinos

É a principal preocupação, pois é o principal causador de esporotricose em humanos, pois a maioria é macho, explica-se pelo comportamento de disputa de território, tem a tendencia de ter um deslocamento maior, em percurso maior e tem até 4 anos de idade, evolução clínica de 8 semanas com duas ou três áreas mais afetadas, maioria na região cefálica, podendo ocorrer também em membros pélvicos e em mucosas com maior frequência também. 

As formas clínicas da doença são cutâneo-linfática, cutâneo-localizada, cutâneo-disseminada e extra cutânea, diversos sistemas acometidos, trato respiratório, tecido ósseo, tecido linfático, infeções nos mais variados sistemas e órgãos, que podem levar o paciente a óbito. 

No exame clínico podemos localizar o esporotricoma, que é a lesão papulonodular fixa, que é a primeira lesão, que não sabemos se vai involuir ou evoluir, e nesses casos não temos acometimento de linfonodos, não apresentando aumento de volume, nem outros tipos de lesão na região. Quando tem falha na imunidade celular, há evolução para lesão ulcerogomosa, algumas vezes com linfangite, com acometimento de linfonodos, as duas formas são lesões localizadas. 

Em cachorros podemos ver a forma verruciformes, que não é comum em gatos. 

Forma cutâneo- linfática não é comum em felinos, pode estar relacionada a iatrogenia, ou pelo tratamento ter sido realizado de forma incorreta com altas doses de glicocorticóides, ou com o uso de imunossupressores que o paciente precisa para tratar outras doenças. 

Exame clínico em cães

Forma cutânea: 

Multinodular; Geralmente em tronco, membro e região cefálica; Os nódulos podem evoluir para aspecto gomoso ou ulcerado, com exsudato e crostas; erosões verruciformes que não são vistas em gatos 

Forma cutâneo linfática:

É observada uma lesão primitiva no membro e essa lesão vai ascendento conforme o trajeto linfático daquele membro, que é chamado de rosário esporotricótico e é uma lesão que quase patognomônica de esporotricose. 

Até o presente momento não existe contágio nem transmissão do cão para o ser humano.

Para fechar o diagnóstico de esporotricose é importante realizar uma cultura fúngica da área afetada, bem como observar as características e o local das lesões.

Prevenção e controle

O ideal é controlar a saída dos animais do ambiente domiciliar, evitando a contaminação e a disseminação da doença, já que o animal, principalmente o gato pode se contaminar através de briga com outros animais, por disputa de território, ou até mesmo a contaminação em madeiras e troncos de árvores que estejam contaminadas pelo fungo, já que esses animais possuem o hábito de afiar as unhas nesses locais. E esse mesmo gato pode entrar em contato através da arranhadura ou mordedura com o ser humano, principalmente seu tutor. Humanos podem se contaminar através do contato com materiais proveniente do solo, por isso é importante o uso de equipamentos de proteção, como luvas e botas, em atividades que envolvam esse tipo de material, para evitar o contato direto com o fungo. 

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