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Hemocomponentes e hemoderivados

A terapia transfusional é amplamente utilizada na medicina veterinária, por vezes o objetivo é repor aquele volume sanguíneo perdido, ou ainda, a reposição de hemácias hemolisadas. Entretanto, a terapia transfusional pode fazer mais pelo nosso paciente. O uso de hemocomponentes no momento correto, além de beneficiário do paciente, também aumenta a segurança do procedimento.

"Apesar de muitas vezes ser utilizada no dia a dia, a transfusão sanguínea não é livre de riscos. Existe a possibilidade de ocorrer reação transfusional tanto em curto prazo quanto em longo prazo"

O sangue total é a base da produção dos hemocomponentes. O sangue é coletado em uma bolsa de 450 mL, a mesma utilizada para coleta de sangue de humanos. Ainda não existe demanda suficiente para uma produção em massa de bolsas específicas veterinárias.

Dentro da bolsa há um anticoagulante, chamado CPDA (do inglês Citrate-phosphate-dextrose solution wiht adenine). Esse anticoagulante permite a manutenção do sangue sem a produção de coágulos.  É necessário durante a coleta que a bolsa seja movimentada o tempo todo, para que o CPDA seja homogenizado.

"No sangue total existe hemácias e plasma, nesse último temos plaquetas, fatores de coagulação e proteínas"

Ao coletar a bolsa nós podemos garantir a viabilidade de todos os hemocomponentes por um período curto, cerca de 8 horas no caso dos fatores de coagulação. Assim, ficaria muito difícil ter estoque desses produtos para uso quando há necessidade.

Um hemobanco é capaz de separar esses hemocomponentes em: concentrado de hemácias, plaquetas e plasma. Após a separação é possível armazenar cada hemocomponente de forma mais adequada, aumentando o tempo de depósito. Isso garante um estoque que pode ser direcionado a uma clínica veterinária em momento de necessidade.

Além de possibilitar a produção de um estoque, a separação dos hemocomponentes a partir do sangue total permite que eu forneça ao paciente apenas o hemocomponente que ele precisa, de acordo com o caso clínico.

Preencha o formulário abaixo e faça o download do esquema ao lado em PDF para guardar!

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Por exemplo, um paciente que está anêmico pode receber uma bolsa de concentrado de hemácias, já um outro paciente que apresente trombocitopenia seria melhor ser tratado com uma bolsa de plaquetas ou ainda um paciente com hipoalbuminemia pode receber plasma ou concentrado de proteínas para repor esse fator.

"O fato de trazer apenas o hemocomponente que o paciente realmente precisa reduz a chance de ocorrer reações transfusionais"

O processo se inicia pelo uso de uma centrífuga no sangue total, que é então separado em plasma rico em plaquetas do concentrado de hemácias. No concentrado de hemácias é adicionado o SAG-M (Soro, adenina, glicose e manitol). Essa solução tem por finalidade proteger as hemácias aumentando o tempo de viabilidade celular. Após adicionar o SAG-M na bolsa de concentrado de hemácias a mesma pode ser selada e estocada, aguardando sua necessidade. 

OBSERVAÇÃO: A bolsa pode ser mantida em uma geladeira a 4º C por até 42 dias.

O concentrado de plaquetas, como o próprio nome indica, pode repor plaquetas em casos de trombocitopenia, vale lembrar aqui daquelas nossas piometra que entram em procedimento cirúrgico com baixos valores de plaquetas, não seria interessante ter uma bolsa para repor esse importante fator? O concentrado de plaquetas deve ser armazenado a 22ºC em máquina específica, que mantém uma movimentação que impede a coagulação dentro da bolsa. 

O plasma rico em plaquetas possui fatores de coagulação, proteínas e plaquetas. Novamente esse produto é centrifugado. Após esse segundo processo obtemos uma bolsa de concentrado de plaquetas e o plasma fresco. Caso esse segundo processo não seja realizado é possível utilizar o plasma rico em plaquetas em um período de até 24 horas, denominado plasma de 24h. 

"O plasma fresco pode ser congelado e pode ser mantido em estoque por até um ano"

No plasma fresco temos proteínas, em especial albumina e fatores de coagulação. Essa bolsa pode ser utilizada para reposição de proteínas em pacientes com hipoproteinemia e também em casos que haja deficiência de coagulação. 

Assim, segue um esquema dos hemocomponentes e hemoderivados gerados a partir do sangue total:

A separação de hemocomponentes tem duas grandes vantagens, aumentar o período de armazenamento e reduzir o risco de reações transfusionais em um paciente administrando apenas o componente necessário ao momento. Assim, através de um processamento de dupla centrifugação é possível 3 hemocomponentes do sangue total: o concentrado de hemácias, o concentrado de plaquetas e o plasma fresco congelado. 


Cada um desses componentes tem indicações específicas que serão abordadas em outras postagens, fiquem ligados!


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