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Convulsões

Convulsão em cães e gatos é um tema comum na rotina clínica, e os detalhes que fazem a diferença para fechar o diagnóstico e escolher o melhor tratamento. 

São pacientes que chegam na emergência com espasmos, tremores, movimentos tônicos e clônico, tônico espásticos, clônicos em movimento de pedalagem, tem tríade mandibular, sialorreia e normalmente não duram mais que 3 minutos, quando passa desse tempo, esses pacientes são de urgência, e tem que ser feito um acesso venoso no paciente para controlar essa convulsão através de drogas, e aferindo a glicemia desse paciente. 

Convulsão focal, onde o paciente também está tendo atividade elétrica a nível dos neurônios, a nível cerebral e se tiver um tempo superior a 2 minutos acaba sendo uma emergência e deve ser tratada de forma agressiva também.

Definições:

É um termo que muda muito, pelo menos a cada 2 a 3 anos, existe uma tendencia a não se falar mais convulsão e sim crise epileptica, é uma condição não específica, paroxística anormal do corpo, é um sinal clínico de que algo não está normal. 

Epilepsia primária/idiopática/genética é uma doença, convulsão é um sinal clinico de uma doença de base que o animal tem. 

A crise epiléptica é um fenômeno eletro fisiológico temporário que ocorre no cérebro com manifestação clínica, quando o paciente tem 2 ou mais crises em um período de um mês, também é um sinal clínico e se assemelha muito a convulsão. 

Fisiopatologia das convulsões:

Os neurônios que se localizam no encéfalo, no pró encefalo, e na região do tálamo, se despolarizam de uma forma desequilibrada, ocorre nesses neurônios menor ação do GABA, que é um neurotransmissor inibitório, e uma maior ação do glutamato que é um neurotransmissor excitatório.

Ocorre alguns distúrbios eletrolíticos, distúrbios dos canais de sódio, de potássio e de cálcio principalmente. 

E esses neurônios que sofrem a despolarização, sofrem o fenômeno que é de kindling and mirroring, que é a despolarização espelhada dos neurônios onde o paciente pode começar com uma convulsão focal e pode se espalhar para uma generalizada. 

Fenômeno de atear fogo e de espelho, que vai alterando os neurônios ao redor. E os outros neurônios tendem a ficar de forma desequilibrada sofrendo as despolarizações e o paciente vai ter essas crises convulsivas. 

Existem outros neurotransmissores que podem estar afetando, mas os principais são o GABA que é inibitório e o Glutamato que é excitatório. 

Classificações das crises epilépticas:

Podem ser classificadas de acordo com a etiologia e com a forma que elas ocorrem, se é focal ou generalizada. 

De acordo com a Etiologia:  

Epilepsia Idiopática: não existe nenhuma doença de base que cause a convulsão

Doenças intra cranianas: lesões estruturais como por exemplo o AVC, tumor, encefalite (infecciosa ou inflamatória) são sinais clínicos que vai causar a convulsão 

Doenças extra cranianas: Fígado quando não está em seu pleno funcionamento pode haver um acúmulo de amônia, ou o rim trabalhando de uma forma inadequada vai acumular uréia, e esse paciente vai acabar tendo uma crise convulsiva, pois são doenças que não estão localizadas no cérebro, mas afetam o cérebro secundariamente. 

Criptogênicas: eventualmente pacientes com mais idade podem começar com crises convulsivas, esses pacientes não necessariamente tem epilepsia idiopática, para ser idiopática é entre 6 meses a 6 anos de vida, se foi feito todos os exames para excluir as causas intra e extra cranianas e o paciente idoso começa a ter crise convulsiva, aí ele tem convulsão de origem criptogênica, ou seja, de origem obscura, existe uma causa mas a gente não consegue identificar. 

Tipos de crise:

Generalizadas: 

  • Tônica Clônica Generalizada 
  • Tônica 
  • Clônica (movimento violento) 

Os tipos de crises convulsivas não tem correlação com a etiologia da convulsão. 

Convulsões focais: exemplificadas no vídeo disponível.

Sinais motores: de movimento, paciente movimenta a cabeça 

Sinais autônomos: sialorreia, secreção ocular 

Alteração de comportamento: paciente que não reage de forma adequada, pode ter um momento de agressividade para o próprio tutor 

Focal com posterior generalizado: começam com movimentos pontuais e em segundos acabam generalizando. 

Ausência: quando tem uma “pausa” no comportamento, mais visto em humanos, que para de falar com você e volta rapidamente. 

Fases da crise epiléptica:

Pródomo (alterações do comportamento) – ocorrem muito antes da crise convulsiva 

Aura (EEG) – existe alteração no eletroencefalograma, mas o paciente não apresenta movimentos tônico clônico generalizado. 

Ictus – crise convulsiva propriamente dita 

Pós- ictus – após a crise convulsiva o paciente poderá apresentar sinais clnicos como cegueira temporária, é um período de confusão mental. 

Histórico

Idade: pacientes com idade entre 6 meses a 6 anos são mais propensos a epilepsia primária, menos de 6 meses pode ser por intoxicação, trauma, distúrbios congênitos e acima de 6 anos de idade, maior possibilidade de neoplasia. 

Raça: Maltês, Yorkshire, Pug, existem meningoencefalites, inflamações auto imunes que são específicas dessas raças basicamente 

Sexo: epilepsia primária não tem predisposição sexual 

Anamnese: Vacinas, se teve contato com algo tóxico, descrever o tipo de movimento que o paciente apresenta, para distinguir síncope de desmaio, o tempo que a crise ocorre, tempo de recuperação dessas crises, se possível pedir vídeo, para ver se é crise convulsiva ou algum outro distúrbio do movimento. 

Crise ocorreu após a alimentação: pode estar relacionado ao shunt-porto-cava, onde o paciente se alimenta, tem uma concentração de amônia maior e o paciente pode ter convulsão. 

Crise após exercícios: diferenciar convulsão de síncope por problema cardíaco por exemplo 

Crise durante o sono: ocorre na maioria dos pacientes com epilepsia primária 

Entre as crises convulsivas, esse paciente é normal? A grande maioria dos pacientes com epilepsia primária o paciente é normal entre as crises. 

Sempre saber o histórico de vacinas, trauma, doenças e tratamentos anteriores. 

Parentesco: se possível identificar se tem outros animais da linhagem com predisposição genética para crises convulsivas 

Esse é um tema que cai com bastante frequência em provas, principalmente com relação ao tratamento dessas enfermidades que está disponível no nosso curso de residência completo.

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