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Disfunção do apetite em felinos

A disfunção do apetite em gatos, é um dos sinais mais comuns da clínica de felinos. Basicamente todo gato que chega doente, independente do diagnóstico, apresenta algum grau de hiporexia ou anorexia, sinais que indicam que o gato “não está se sentindo bem”, e que necessitam de uma atenção e cuidados adequados, pois é um sinal clínico que pode gerar ainda mais situações clínicas graves, piorando o quadro.

Uma das consequências é a redução da função imune. Em gatos saudáveis que foram obrigados a ficar sem comer, foi comprovado a redução de CD4 e CD8. Então pense quando você tem um paciente com alguma comorbidade como, FiV, FeLV por exemplo, que são doenças imunossupressoras, e ainda deixa ele sem comer? Ele vai ter uma piora significativa nessa imunossupressão.

Além disso, a privação de alimentação causa queda de ALBUMINA, proteína essencial para as funções, e isso pode causar:
  • Altera a função de algumas medicações: Muitas drogas são altamente ligadas a albumina, para serem carreadas até seu sítio de ação, e as vezes é o medicamento que eu estou esperando fazer efeito para o paciente melhorar, por exemplo, ou ter a cura da doença mesmo que em casa;
  • Pode retardar a cicatrização: Precisamos de matéria prima para cicatrizar o tecido, que é recebida através da alimentação, principalmente em pós cirúrgico do trato gastrointestinal. 

Antigamente era recomendado até 48h de jejum pós operatório nos casos de cirurgias gastrointestinais, em casos de pancreatite ou vômito, mas esse conceito está defasado, e hoje não se faz mais o jejum, pois isso acarreta piora da doença. 

Se o paciente ficar em jejum por muito tempo eu tenho uma piora no prognóstico geral do paciente.  Se o gato tiver anorexia e eu mantiver esse gato sem se alimentar, ele vai piorar, posso desencadear uma lipidose hepática, doença gravíssima que acomete gatos que ficam um tempo prolongado sem se alimentar. 

Lipidose hepática se manifesta mais rapidamente em felinos acima do peso, mas pode acometer gatos que tenham um peso adequado de uma maneira mais lenta. 

Quando tem a associação de várias doenças no paciente, ou se tenha uma doença de base e o paciente não se alimenta, a tendência é o paciente vir a óbito. 

Consumo de glicose

Animais que não estejam se alimentando, ou se alimentando pouco, o estoque de glicogênio (que é a glicose armazenada) no fígado só fica disponível de 12 a 24h depois do jejum. Após esse período o paciente acaba degradando gordura e massa muscular (proteína), causando danos como a lipidose hepática por exemplo. 

Trauma ou doença aumentam o requerimento energético. Esse período de reserva de glicogênio hepático que era de 12 a 24h, diminui bastante.

Mas qual tecido usa a glicose, reserva de energia?  
  • Sistema Nervoso Central e Periférico: o paciente que está apático, que só dorme, que não quer se mexer, pode indicar a falta de glicose no cérebro, podendo levar o paciente ao desmaio também; 
  • Coração;
  • Células sanguíneas: hemácias e sistema imune; 
  • Células da região medular renal: doentes renais acabam tendo mais lesão renal.

Como diferenciar e identificar as diferentes disfunções do apetite? Nomenclatura e como verificar as disfunções:

O número de calorias necessárias para manter o peso corporal difere amplamente entre os animais, mas para ter uma média ou valor de referência para se poder trabalhar, utilizamos o REB (requerimento energético basal), que é o mínimo de energia necessária para o indivíduo viver. 

Para saber o REB, utilizamos alguns cálculos. Esse cálculo vai nos fornecer a média do requerimento basal, e com isso, podemos adequar a alimentação do nosso paciente!

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